segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ernesto Sabato

Estava explorando os livros na megaestante aqui de casa e achei o livro A Resistência, do Ernesto Sabato. Eu li esse livro em 2009 e ele foi e é tão espetacular que sempre que o encontro e releio algumas das partes que eu marquei com post-its, fico estranhamente inspirada e empolgada. É um livro muito especial. Inclusive dei um exemplar de presente para uma grande amiga minha que hoje resolveu explorar o litoral brasileiro de carro e, até onde sei, está em Natal - RN, bem feliz e bem bronzeada. Só imagino as histórias que ela tem para contar. Digo tudo isso porque além do livro ser maravilhoso, me faz pensar nessa amiga querida que é a Fê. Enfim, lendo pela bilionésima vez, achei uma das passagens mais interessantes do livro e vou escrevê-la aqui para vocês.

"A bondade e a maldade são para nós inapreensíveis, porque ocorrem em nosso próprio coração. São, sem dúvida, o grande mistério. Essa trágica dualidade se reflete no rosto do homem, onde, lenta mas inexoravelmente, vão deixando seu rastro os sentimentos e as paixões, os afetos e os rancores, a fé, a ilusão e os desencantos, as mortes que vivemos ou pressentimos, os outonos que nos entristeceram ou desalentaram, os amores que nos enfeitiçaram, os fantasmas que, em sonhos ou ficções, nos visitam ou perseguem. Nos olhos que choram de dor ou se fecham de sono, mas também por pudor ou astúcia, nos lábios que se apertam por obstinação mas também por crueldade, nas sobrancelhas que se contraem por inquietação ou estranhamento ou se arqueiam na interrogação e na dúvida, nas veias que saltam de raiva ou sensualidade, enfim, vai-se delineando a móvel geografia que a alma acaba construindo sobre a sutil e maleável pele do rosto. Revelando-se assim, conforme a fatalidade que lhe é própria, por meio dessa matéria que é ao mesmo tempo sua prisão e sua grande possibilidade de existência."

Repito: a móvel geografia que a alma acaba construindo sobre a sutil e maleável pele do rosto.

Agora, por favor, concordem comigo quando digo que o cara é espetacular e leiam o livro e confirmem o meu encantamento.

Homenagem a Ana Cristina Cesar

Dos escritos de Ana Cristina em "Inéditos e Dispersos" (recomendadíssimo pra quem quer ser feliz e inspirado) roubei algumas palavras e rearranjei algumas frases. O resultado foram alguns poemas de pé quebrado, dois dos quais compartilho com vocês, seja lá quem vocês forem.


A tarde inteira a quatro
Eu e ela
Ela e eu
Nos perdemos em Dylan
E em nossos próprios corpos
Morrer não deveria ser possível

(inspirado em Quatro Quartetos)

Teu meu
Teu corpo teu cheiro meu
Tudo o que tenho meu
Tudo o que quero (e o que não quero) meu
O que fomos (e não seremos) meu
Tu e eu
Tudo meu

(inspirado em Visita)