Tonterias e importâncias
Deposição escrita de pensamentos aleatórios.
terça-feira, 7 de novembro de 2017
reencontro
Eu tava precisando me reencontrar. Me perdi nos processos, caminhos, escolhas e no tempo. Sensação ruim a da perda de si mesma. Imagino que também seja uma sensação necessária. Alguém nunca se perdeu de si? Nesses 5 anos depois da última postagem, me pego pensando no valor da internet. Eu joguei fora cadernos e fotos da adolescência e alguns minicaderninhos de pensamentos aleatórios. Esse blog nunca saiu daqui. Daqui da Internet. Lembrei da senha, por sorte. Nesses últimos 5 anos terminei o mestrado, comecei o doutorado, viajei pra lugares nunca antes imaginados (tipo a Noruega! Wtf?), tive um grande amor (romântico) e novos grandes amores (de amizade). Perdi uns amigos e recuperei outros. Engordei. Emagreci. Fiz umas 5 tatuagens. Engordei de novo. Aprendi um pouco de francês. Aprendi muito sobre a Escócia. Bebi. Fui em uns show bacanas. Nesses últimos 5 anos aprendi um tanto sobre várias coisas e outro pouco sobre a vida. Desaprendi coisa pra caralho também. Descobri novas velhas músicas. Me apaixonei perdidamente pela Marina Abramovic. Recentemente comprei outro livro do Austin Kleon (citei ele aqui em 2012). Também tenho um grupo de estudos em feminismo lésbico agora! Fiz uma disciplina sobre políticas sociais que meio que mudou a minha vida. Tentei ser verdadeiramente vegetariana por 5 vezes (deusas caminhoneiras, pra quê existir bacon?). Mas nesses últimos 5 anos me perdi de mim um pouco. Perdi a empolgação desenfreada (o que deve ser bom). Perdi a vontade forte de ver o sol nascer sempre que possível (o que é difícil de fazer durante a semana mas não era antes). E, principalmente, perdi a vontade de estar cercada de pessoas e barulho. Alguns diriam que isso foi o pré-frontal que, antes tarde do que nunca, se desenvolveu. Outros diriam que a vida acontece e que no fim a gente se acomoda mesmo. Faz parte. Mas sinto mesmo que perdi a poesia, sabe? Estou tentando recuperar! E acho que devo conseguir sentir a diferença em breve. Em breve também termino o doutorado (o que talvez me faça recuperar imediatamente a poesia). Mas acho que a poesia vai voltar principalmente pq recuperei algumas pessoas. E alguns livros.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
pra ler bem rápido. nem respeite a pontuação.
É muita intensidade. É muita vida. Fico buscando momentos inesquecíveis em qualquer momento pra não perder a sede. Me pego com sensações estranhas. Sensação de alegria por tudo, tristeza pelo fim, agradecimento pela sorte, ansiedade e paz. Mas não pode ser assim sempre. O assim sempre todo o dia, todos os dias, é rotina. Rotina é um porre, um tédio. Tédio é morte, é pior. Tédio é morrer sem ter de fato morrido, é morrer sem perder a vida. É ver a vida passar no conforto morno do comodismo, na lenta e estranha sensação de desperdício. O tempo é o presente. A vida é agora. E todas essas outras frases que nos fazem querer mudar, mas que não conseguem. Mudar pra quê também, né? Sei lá. Faço dos textos uma espécie de terapia e compartilho com todo mundo porque, aparentemente, é só o que se faz hoje em dia. Compartilhar. Se não compartilhar, não fez, não viveu, não tem pra quem contar, não aconteceu. Mas aí também já é outra história, dessas de se contar ao vivo, no boteco, com tempo pra jogar fora, com gente que entende e com todos os gestos de grandes explicações e histórias, gestos que facilitam o entendimento. Entenderam?
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Ernesto Sabato
Estava explorando os livros na megaestante aqui de casa e achei o livro A Resistência, do Ernesto Sabato. Eu li esse livro em 2009 e ele foi e é tão espetacular que sempre que o encontro e releio algumas das partes que eu marquei com post-its, fico estranhamente inspirada e empolgada. É um livro muito especial. Inclusive dei um exemplar de presente para uma grande amiga minha que hoje resolveu explorar o litoral brasileiro de carro e, até onde sei, está em Natal - RN, bem feliz e bem bronzeada. Só imagino as histórias que ela tem para contar. Digo tudo isso porque além do livro ser maravilhoso, me faz pensar nessa amiga querida que é a Fê. Enfim, lendo pela bilionésima vez, achei uma das passagens mais interessantes do livro e vou escrevê-la aqui para vocês.
"A bondade e a maldade são para nós inapreensíveis, porque ocorrem em nosso próprio coração. São, sem dúvida, o grande mistério. Essa trágica dualidade se reflete no rosto do homem, onde, lenta mas inexoravelmente, vão deixando seu rastro os sentimentos e as paixões, os afetos e os rancores, a fé, a ilusão e os desencantos, as mortes que vivemos ou pressentimos, os outonos que nos entristeceram ou desalentaram, os amores que nos enfeitiçaram, os fantasmas que, em sonhos ou ficções, nos visitam ou perseguem. Nos olhos que choram de dor ou se fecham de sono, mas também por pudor ou astúcia, nos lábios que se apertam por obstinação mas também por crueldade, nas sobrancelhas que se contraem por inquietação ou estranhamento ou se arqueiam na interrogação e na dúvida, nas veias que saltam de raiva ou sensualidade, enfim, vai-se delineando a móvel geografia que a alma acaba construindo sobre a sutil e maleável pele do rosto. Revelando-se assim, conforme a fatalidade que lhe é própria, por meio dessa matéria que é ao mesmo tempo sua prisão e sua grande possibilidade de existência."
Repito: a móvel geografia que a alma acaba construindo sobre a sutil e maleável pele do rosto.
Agora, por favor, concordem comigo quando digo que o cara é espetacular e leiam o livro e confirmem o meu encantamento.
"A bondade e a maldade são para nós inapreensíveis, porque ocorrem em nosso próprio coração. São, sem dúvida, o grande mistério. Essa trágica dualidade se reflete no rosto do homem, onde, lenta mas inexoravelmente, vão deixando seu rastro os sentimentos e as paixões, os afetos e os rancores, a fé, a ilusão e os desencantos, as mortes que vivemos ou pressentimos, os outonos que nos entristeceram ou desalentaram, os amores que nos enfeitiçaram, os fantasmas que, em sonhos ou ficções, nos visitam ou perseguem. Nos olhos que choram de dor ou se fecham de sono, mas também por pudor ou astúcia, nos lábios que se apertam por obstinação mas também por crueldade, nas sobrancelhas que se contraem por inquietação ou estranhamento ou se arqueiam na interrogação e na dúvida, nas veias que saltam de raiva ou sensualidade, enfim, vai-se delineando a móvel geografia que a alma acaba construindo sobre a sutil e maleável pele do rosto. Revelando-se assim, conforme a fatalidade que lhe é própria, por meio dessa matéria que é ao mesmo tempo sua prisão e sua grande possibilidade de existência."
Repito: a móvel geografia que a alma acaba construindo sobre a sutil e maleável pele do rosto.
Agora, por favor, concordem comigo quando digo que o cara é espetacular e leiam o livro e confirmem o meu encantamento.
Homenagem a Ana Cristina Cesar
Dos escritos de Ana Cristina em "Inéditos e Dispersos" (recomendadíssimo pra quem quer ser feliz e inspirado) roubei algumas palavras e rearranjei algumas frases. O resultado foram alguns poemas de pé quebrado, dois dos quais compartilho com vocês, seja lá quem vocês forem.
A tarde inteira a quatro
Eu e ela
Ela e eu
Nos perdemos em Dylan
E em nossos próprios corpos
Morrer não deveria ser possível
(inspirado em Quatro Quartetos)
Teu meu
Teu corpo teu cheiro meu
Tudo o que tenho meu
Tudo o que quero (e o que não quero) meu
O que fomos (e não seremos) meu
Tu e eu
Tudo meu
(inspirado em Visita)
terça-feira, 18 de setembro de 2012
restos
Acordei com um resto de sonho na cabeça. Aquele resto de sonho que te faz encarar o teto antes de sair da cama e ficar mais tempo que o normal encarando o espelho do banheiro. Sabe? Na tentativa de juntar os cacos, reconstituir os acontecimentos, fico em silêncio (e isso não é comum) encarando a janela, com uma caneca na mão. Me lembro de coisas, não do sonho, mas da vida real, misturo tudo. Torno a vida mais mágica e o sonho mais real. Termino o café e termino o sonho acordada. Começo bem o dia.
domingo, 16 de setembro de 2012
Sobre o ar.
Ar que movimenta é
vento.
O soprado acalma a
ardência.
Ar que dá pra ver é
fumaça.
O que sai da panela te tira
da cama.
O da caneca é como um
abraço.
O do fogo depende, pode
ser amor, início ou fim.
O quente que sai da
boca aquece as mãos.
O do incenso acalma.
O que perturba é o
repetitivo.
O que passa pela janela
assusta.
O cheiroso que traz a
saudade é o perfume.
O que nos dá vida é o
puro.
O que incomoda é o do
centro.
O do carro mata, o do
cilindro salva, permite.
O que respiro, dividir
contigo prefiro.
do que falo quando volto do Rio
Dos excessos e possibilidades.
Dos corpos e orgasmos.
Das pedras e rios e marés.
Do pelo do corpo e o cheiro.
Da areia áspera no lençol macio.
Da vida que acontece na cama, na praia e no meio da rua.
Do sol quando sai do mar.
Dos tons do amanhecer.
Do toque, da língua e do sono.
Do banho compartilhado.
Da bebida tomada e as decisões consequentes.
Do show e do movimento.
Da cor do cabelo e o timbre da voz.
Sobre conhecer a letra de cor.
Sobre conhecer o outro de cor.
Sobre viver uma semana com a intensidade do infinito,
com a consciência do fim, com a expectativa de mais.
Com todo o mundo.
Do amor e da amizade.
Dos corpos e orgasmos.
Das pedras e rios e marés.
Do pelo do corpo e o cheiro.
Da areia áspera no lençol macio.
Da vida que acontece na cama, na praia e no meio da rua.
Do sol quando sai do mar.
Dos tons do amanhecer.
Do toque, da língua e do sono.
Do banho compartilhado.
Da bebida tomada e as decisões consequentes.
Do show e do movimento.
Da cor do cabelo e o timbre da voz.
Sobre conhecer a letra de cor.
Sobre conhecer o outro de cor.
Sobre viver uma semana com a intensidade do infinito,
com a consciência do fim, com a expectativa de mais.
Com todo o mundo.
Do amor e da amizade.
Assinar:
Postagens (Atom)
