quarta-feira, 28 de novembro de 2012

pra ler bem rápido. nem respeite a pontuação.

É muita intensidade. É muita vida. Fico buscando momentos inesquecíveis em qualquer momento pra não perder a sede. Me pego com sensações estranhas. Sensação de alegria por tudo, tristeza pelo fim, agradecimento pela sorte, ansiedade e paz. Mas não pode ser assim sempre. O assim sempre todo o dia, todos os dias, é rotina. Rotina é um porre, um tédio. Tédio é morte, é pior. Tédio é morrer sem ter de fato morrido, é morrer sem perder a vida. É ver a vida passar no conforto morno do comodismo, na lenta e estranha sensação de desperdício. O tempo é o presente. A vida é agora. E todas essas outras frases que nos fazem querer mudar, mas que não conseguem. Mudar pra quê também, né? Sei lá. Faço dos textos uma espécie de terapia e compartilho com todo mundo porque, aparentemente, é só o que se faz hoje em dia. Compartilhar. Se não compartilhar, não fez, não viveu, não tem pra quem contar, não aconteceu. Mas aí também já é outra história, dessas de se contar ao vivo, no boteco, com tempo pra jogar fora, com gente que entende e com todos os gestos de grandes explicações e histórias, gestos que facilitam o entendimento. Entenderam?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ernesto Sabato

Estava explorando os livros na megaestante aqui de casa e achei o livro A Resistência, do Ernesto Sabato. Eu li esse livro em 2009 e ele foi e é tão espetacular que sempre que o encontro e releio algumas das partes que eu marquei com post-its, fico estranhamente inspirada e empolgada. É um livro muito especial. Inclusive dei um exemplar de presente para uma grande amiga minha que hoje resolveu explorar o litoral brasileiro de carro e, até onde sei, está em Natal - RN, bem feliz e bem bronzeada. Só imagino as histórias que ela tem para contar. Digo tudo isso porque além do livro ser maravilhoso, me faz pensar nessa amiga querida que é a Fê. Enfim, lendo pela bilionésima vez, achei uma das passagens mais interessantes do livro e vou escrevê-la aqui para vocês.

"A bondade e a maldade são para nós inapreensíveis, porque ocorrem em nosso próprio coração. São, sem dúvida, o grande mistério. Essa trágica dualidade se reflete no rosto do homem, onde, lenta mas inexoravelmente, vão deixando seu rastro os sentimentos e as paixões, os afetos e os rancores, a fé, a ilusão e os desencantos, as mortes que vivemos ou pressentimos, os outonos que nos entristeceram ou desalentaram, os amores que nos enfeitiçaram, os fantasmas que, em sonhos ou ficções, nos visitam ou perseguem. Nos olhos que choram de dor ou se fecham de sono, mas também por pudor ou astúcia, nos lábios que se apertam por obstinação mas também por crueldade, nas sobrancelhas que se contraem por inquietação ou estranhamento ou se arqueiam na interrogação e na dúvida, nas veias que saltam de raiva ou sensualidade, enfim, vai-se delineando a móvel geografia que a alma acaba construindo sobre a sutil e maleável pele do rosto. Revelando-se assim, conforme a fatalidade que lhe é própria, por meio dessa matéria que é ao mesmo tempo sua prisão e sua grande possibilidade de existência."

Repito: a móvel geografia que a alma acaba construindo sobre a sutil e maleável pele do rosto.

Agora, por favor, concordem comigo quando digo que o cara é espetacular e leiam o livro e confirmem o meu encantamento.

Homenagem a Ana Cristina Cesar

Dos escritos de Ana Cristina em "Inéditos e Dispersos" (recomendadíssimo pra quem quer ser feliz e inspirado) roubei algumas palavras e rearranjei algumas frases. O resultado foram alguns poemas de pé quebrado, dois dos quais compartilho com vocês, seja lá quem vocês forem.


A tarde inteira a quatro
Eu e ela
Ela e eu
Nos perdemos em Dylan
E em nossos próprios corpos
Morrer não deveria ser possível

(inspirado em Quatro Quartetos)

Teu meu
Teu corpo teu cheiro meu
Tudo o que tenho meu
Tudo o que quero (e o que não quero) meu
O que fomos (e não seremos) meu
Tu e eu
Tudo meu

(inspirado em Visita)



terça-feira, 18 de setembro de 2012

restos

Acordei com um resto de sonho na cabeça. Aquele resto de sonho que te faz encarar o teto antes de sair da cama e ficar mais tempo que o normal encarando o espelho do banheiro. Sabe? Na tentativa de juntar os cacos, reconstituir os acontecimentos, fico em silêncio (e isso não é comum) encarando a janela, com uma caneca na mão. Me lembro de coisas, não do sonho, mas da vida real, misturo tudo. Torno a vida mais mágica e o sonho mais real. Termino o café e termino o sonho acordada. Começo bem o dia.

domingo, 16 de setembro de 2012

Sobre o ar.


Ar que movimenta é vento.

O soprado acalma a ardência.

Ar que dá pra ver é fumaça.

O que sai da panela te tira da cama.

O da caneca é como um abraço.

O do fogo depende, pode ser amor, início ou fim.

O quente que sai da boca aquece as mãos.

O do incenso acalma.

O que perturba é o repetitivo.

O que passa pela janela assusta.

O cheiroso que traz a saudade é o perfume.

O que nos dá vida é o puro.

O que incomoda é o do centro.

O do carro mata, o do cilindro salva, permite.

O que respiro, dividir contigo prefiro. 

do que falo quando volto do Rio

Dos excessos e possibilidades.
Dos corpos e orgasmos.
Das pedras e rios e marés.
Do pelo do corpo e o cheiro.
Da areia áspera no lençol macio.
Da vida que acontece na cama, na praia e no meio da rua.
Do sol quando sai do mar.
Dos tons do amanhecer.
Do toque, da língua e do sono.
Do banho compartilhado.
Da bebida tomada e as decisões consequentes.
Do show e do movimento.
Da cor do cabelo e o timbre da voz.
Sobre conhecer a letra de cor.
Sobre conhecer o outro de cor.
Sobre viver uma semana com a intensidade do infinito,
com a consciência do fim, com a expectativa de mais.
Com todo o mundo.
Do amor e da amizade.

domingo, 2 de setembro de 2012

Alanis

Então... Nem lembro do último dia que parei para pensar no que escrever por aqui.. Mas como a criatividade, a paciência e o tempo aparecem como ondas, como alinhamentos dos planetas, não tão raros, nem comuns...Enfim, semana que vem tem show da Alanis Morissette e eu estou estourando de alegria! Por que além de curtir a Alanis com duas das minhas pessoas favoritas no mundo, ainda vou conseguir colocar os pés na areia, entrar no mar e (re)pensar várias coisas!!! Um tempo pra ficar meio sozinha, meio acompanhada e muito tranquila! O novo CD da Alanis "diva linda e maravilhosa" Morissette tá um show! Não é meu favorito e não é tão bom/maravilhoso/incomparável/melhor do mundo como o Jagged Little Pill, mas as músicas são ótimas e a produção é linda! Uma Alanis crescida, como eu, diferente... Mas para não ficar falando só da Alanis, vou falar também sobre o Austin Kleon, cujo primeiro livro chegou aqui em casa anteontem graças à livraria Cultura (amor da minha vida)!!! Em vez de começar suas poesias com uma página em branco, o Austin utiliza as páginas do New York Times e um marcador permanente e elimina as palavras que ele não quer! Aí o nome do livro ser Newspaper Blackout!!! How cool is that?!?!?!? Esse tipo de trabalho não é incomum, e já vi alguns artistas utilizando esse método, só que em exposições, não em forma de livro! Ficou legal demais!!! O poeta tem facebook (e quem não tem?), aí dá pra conferir as fotos e tudo mais lá. Pra resumir, tenho passado a semana entre livros e narguilés, esperando ansiosamente pela Alanis... E pra tirar um pouco a ansiedade do corpo nada melhor do que compartilhar com vocês (quem ?) esses pensamentos e a agonia da espera...

terça-feira, 20 de março de 2012

Fotografia

Então, gente boa, faz um tempão que não imortalizo minhas palavras virtualmente por aqui. E não que isso vá mudar, que eu me torne uma pessoa mais disciplinadas com as inutilidades nem tão inúteis desse blog, mas acontece que hoje tive uma luz e fui feliz. Sabe quando tu tá parada, não fazendo nada de especial e aí tu sente um desperdício? EU não me sinto um desperdício, mas sinto como se estivesse desperdiçando tempo fazendo coisas inúteis. Então, em um momento assim tive um estalo! Um click! Terminei minha monografia - e foi um sucesso, btw - traduzi uns artigos por dinheiro - outro sucesso, só que financeiro - e vivo uma fase de transição na escolha da minha profissão. E entendo quando as pessoas dizem que transições são difíceis, mas são igualmente empolgantes. Essa transição traz, pra mim pelo menos, uma sensação muito louca de possibilidade, de que já que nada é imutável e eterno, que tudo pode acontecer. E nessa(s) possibilidade(s) a gente tem mais é que explorar, conhecer, sonhar e descobrir, se aventurar mesmo, literalmente (ao estilo Robin Scherbatsky). Sempre defendi que temos que fazer sempre o que queremos, quando queremos e com quem queremos, em todos os sentidos que isso possui...E na verdade a gente as vezes se acomoda na preguiça e no sossego e acaba perdendo um pouquinho daquela gana de vida, sabe?! Sei lá. Sei que hoje recuperei essa gana de vida. Vida vida vida vida vida vida...faça da sua o que quiser! Vamos fazer juntos! E o título deste post é fotografia pq foi uma fotografia que me estalou! Uma fotografia linda de um momento cotidiano que trazia toda a gana, aquela gana... Tem que fazer valer e todos os demais clichês que acompanham momentos de estalo, de repercepção da vida! Fui...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Gente boa

Gente querida, elegante e sincera é uma delícia! Quando encontra tem que conquistar e manter! Falei sobre isso com a Lê, uma das minhas pessoas finas, elegantes e sinceras favoritas!!! E conversávamos sobre isso enquanto fumávamos um narguilé e tomávamos uma coca no bar mais querido, elegante e sincero de Porto Alegre! O que, nessa vida e nas outras (?), pode ser melhor que isso? Do que a relação de amizade? Com o compromisso da alegria e da dor compartilhado? Com os planos e os acontecimentos sendo descritos, as vezes acompanhados de boas risadas, outras de olhares críticos e outras ainda com amor?! Shakespeare já dizia, sempre muito certo, que os amigos são a família que a gente escolhe! São mesmo! Contamos histórias, demos risada, reclamamos daqueles que não são como nós e que nos incomodam, ou que são como nós e nos incomodam!!! Falamos besteiras, tonterias...verdades e importâncias!!! Compramos cd's, tomamos café!!! Amigos serão amigos!!! Grandes amigos, meio amigos, amigos que são xaropes mas que amamos mesmo assim, amigos tongos, ausentes, muito presentes, pretos, brancos, índios...ateus, religiosos...guris e gurias...maconheiros ou não...sinceros nem sempre...engraçados demais ou de menos...amigos queridos!!! Dias melhores!!!